1 de dezembro de 2007

Independência

A Restauração da Independência é a instauração da casa de Bragança face à dinastia Filipina em 1 de Dezembro de 1640, que durante 60 anos regeu o país.


Hoje fala-se muito de Espanha. Em Espanha ganha-se mais. Em Espanha há menos impostos. Em Espanha a gasolina é mais barata. Em Espanha é mais fácil estudar (medicina, entenda-se). Em Espanha há outro nível, outra cultura. Em Espanha as pessoas são mais respeitadoras e patati e patata...


Não sei se em aulas de História ou se nas histórias de casa ou de reuniões familiares ou de amigos, ficou-me marcado um dito popular que a pouco e pouco vou decifrando e entendendo ou, por vezes, "desentendendo":

DE ESPANHA, NEM BOM VENTO NEM BOM CASAMENTO.


Bem, das minhas leituras deduzi que isto de não termos jeito para os negócios já é tradição antiga, pois que nem bons casamentos nós arranjámos. Parece até que fomos exemplares de não "casar" apenas princesas ou com princesas, houve quem "casasse" com a comitiva ou parte dela... Pode dizer-se que, afinal, não era mau negócio, agradava-se aos soberanos e ainda se ganhava um bonús.


Mas fora de brincadeira, recordo, por vezes, aqueles que ficaram na história como hérois, bravos soldados, sacrificando-se e sacrificando as famílias por uma glória que era a honra de sermos independentes. De certo, houve alguns que o fizeram para glória pessoal, não creio, no entanto, que tenham sido assim tantos.

"Por obras valerosas se vão da lei da morte libertanto"

("Os Lusíadas", Luís de Camões, cito de cor)

Por isso, hoje revolta-me esta viragem à Espanha, à gloriosa vizinha esquecida durante séculos. Até parece que os portugueses descobriram " a América", fazendo uso de um outro dito popular ( e sem dúdida com uma certa ironia do destino... América... Cristóvão Colombo e a sua saga para arranjar quem o financiasse... outra história... que também podia ser nossa... mas adiante).

Há muitos anos, precisamente há 12 anos ( e apenas doze anos, já estávamos na C.E.E. e tudo), espanhola por sinal, melhor dizendo valenciana, a Conchi, dizia: "Portugal e Espanha estão de costas voltadas".

Também ela não percebia esta indiferença, esta falta de conhecimento, nomeadamente histórico, sobre o outro lado da fronteira, o conhecido "pais hermano", mas como tantos irmãos de costas voltadas, zangados, indiferentes, cada um seguindo o seu rumo, apesar das raízes comuns. Em primeiro lugar, a partilha desta península singular, rosto marcante no território europeu e até facilmente identificável no mapa-mundo (talvez daí os americanos ou outros olharem para o mapa e verem apenas Espanha nessa península).

Tantas alianças políticas seladas em casamentos... tantas desavenças... tantas lutas... tanta coragem... tanta insana aventura... tanta gente sacrificada para agora reclamarem ser espanhóis?!!

Referi-me à Conchi como valenciana, pois é autóctene da Comunidad Valenciana, mais propriamente da terra da Festa da Tomatada. Esquecem muitos ou nem sequer sabem (o que deve ser mais provável), que Espanha não é um país como o nosso, é um país com diferents nações, culturas diferents, línguas diferentes, e muitas delas reclamam não a autonomia, pois essa já a têm, mas a independência. Encabeçando a lista o País Basco, mais conhecido devido aos ataques da ETA (de criticar), depois a Catalunha... a Comunidade Valenciana... a Galiza... as Astúrias...

Este é o nosso vizinho: um reino (inicialmente Leão e depois Leão e Castela) que conquistou ou que se apoderou de todo o território peninsular, excepto dos teimosos e casmurros aldeões que moravam para lá daqueles montes (não esquecer relevo Transmontano, a Beira, a Serra da Estrela e depois o Guadiana).


Penso e digo muitas vezes que graças a esses teimosos ainda somos portugueses, ainda que o preço a pagar seja um certo atraso económico e etc... etc...


P.S. E gosto de lembrar, ainda que de forma brincalhona, a "nossa querida padeira" de Aljubarrota.

Então a malta teve tanto trabalho a andar à batatada e agora a malta vira-se para os espanhóis??!!
A moda dos caramelos já passou, não esperem doces!


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