27 de agosto de 2008

Rabiscuits



3º edição do Rabiscuits
Mostra de Arte Experimental em Alcobaça.










62 artistas, desde as Artes Plásticas às Curtas-metragens e Música.

19 de agosto de 2008

Maiakovisky - Niemöller - Brecht

Já li e reli este mail.
Recebi-o várias vezes, talvez o tenha encaminhado e apagado outras tantas vezes. Mas hoje recebi-o de novo e decidi publicar os poemas / desabafos nele expressos.

A realidade que ali está escrita, implícita ou explicitamente, é algo que me inquieta há muito, assim como a uma ou outra pessoa que partilha comigo/connosco uma visão menos optimista desta engrenagem político-económica europeia, outrora, e cada vez mais global, hoje. E que se tem acentuado nos últimos anos.

A história que nos ensinam pode ou não revelar esses factos, dependendo de regimes, políticas governativas e educativas. Dependendo do meio familiar e cultural. E, sobretudo, dependendo do INDÍVIDUO.

A história faz-se de trechos, momentos, evocações, ilustrações que desencadeiam questões, tantas vezes sem resposta e que, a cada tentativa de resposta, despoletam cada vez mais questões... há como que um bichinho em nós que nos obriga a ler, ler, ler, investigar, procurar... tentando encontrar uma resposta clara e objectiva e que descobrimos, desapontados ou não, que essa resposta não existe.
Todavia essa busca de verdade abre-nos outras perspectivas, caminhos...
A verdade nunca é simples e clara, antes pelo contrário, envolve-se em neblinas e negrumes, anseios, esperanças e desilusões... SONHOS VÃOS...
A Demanda do Graal!!!

Os outros, diziam-nos pessimistas, "recusavam" ouvir, partilhar ou emitir opinião sobre o assunto... mas todas estas "coisas" tiveram uma origem silenciosa e sobretudo organizada... e, quando os outros acordaram era tarde, estavam instalados regimes totalitários que tão próximos conhecemos, fisica e ideologicamente.

A erva daninha é difícil de erradicar e por muitos químicos que se usem para a destruir, mais tarde ou mais cedo ela surge, pequena, discreta, apagada e não ligamos. Quando reparamos nela, porque nos incomoda, já cresceu, robusteceu e... agora exige força, determinação e, sobretudo, muito trabalho para eliminá-la.

"Eles andem aí!"



Maiakovisky - poeta russo, "suicidado" após a revolução de Lenine , escreveu no início do século XX .
Na primeira noite
eles se aproximam
e colhem uma flor
de nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite,
já não se escondem :
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles,
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a lua, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz
da garganta.
E porque não dissemos nada,
já não podemos dizer nada.


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"Um dia vieram e levaram meu vizinho que era judeu.
Como não sou judeu, não me incomodei.
No dia seguinte, vieram e levaram meu outro vizinho que era comunista.
Como não sou comunista, não me incomodei .
No terceiro dia vieram e levaram meu vizinho católico.
Como não sou católico, não me incomodei.
No quarto dia, vieram e me levaram;j
á não havia mais ninguém para reclamar..."

Martin Niemöller, 1933 ,
símbolo da resistência aos nazistas.

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(Parodiando o pastor protestante Martin Niemöller:
"Primeiro eles roubaram nos sinais, mas não fui eu a vítima,
Depois incendiaram os ônibus, mas eu não estava neles;
Depois fecharam ruas, onde não moro;
Fecharam então o portão da favela, que não habito;
Em seguida arrastaram até a morte uma criança, que não era meu filho..."
Claudio Humberto, fev 2007 )

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Primeiro levaram os negros

Mas não me importei com isso
Eu não era negro

Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário

Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável

Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Também não me importei

Agora estão me levando
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo.

É PRECISO AGIR

Bertold Brecht (1898-1956)

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Tudo que os outros disseram foi depois de ler Maiakovisky.
Incrível é que após mais de cem anos dessa lição, ainda nos encontremos tão desamparados, inermes, e submetidos aos caprichos da ruína moral dos poderes governantes, quev ampirizam o erário, aniquilam as instituições, e deixam aos cidadãos os ossos roídos e o direito ao silêncio: porque a palavra, há muito se tornou inútil.
(Este último comentário é de autor desconhecido)

12 de agosto de 2008

A minha indignação

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Comentários Terça-feira, 12 de Agosto de 2008
Margarida

Sentir minimamente na pele...
Terça-feira, 12 de AgosTo de 2008 2:36

Andava há uns dias a pensar escrever sobre a situação abordada no texto e sobretudo nas imagens. Abri a página do Clix e foi a primeira "clicadela" que dei e depois vi as imagens, seguidamente pensei se devia escrever algo.
Aqui estou a escrever esse algo que nada mais é que sublinhar a negrito e com letras gigantes as legendas das imagens tal como expressões " a dança das macas", "corredores superlotados", sala de penso e de tratamento exígua, onde ao lado o médico e enfermeiros trocavam de turno e falavam de doentes e de quem ia jantar e onde, e de quem já não podia ir porque tinha que ficar na sala (poucos), etc, etc.
Há precisamente um mês vivi tudo isto no Hospital de Portimão. ( O tal que, soube na reportagem, tem apenas 9 anos e que constatei in loco que não tem condições para assistir às populações de metade do Algarve e do Alentejo , quanto mais aos milhares de turitas sanzonais). Já tentei descrever a amigos o interior das urgências: corredores estreitos e com ângulos incríveis, salas minúsculas, doentes de fita amarela em macas, sentados nas parcas cadeiras( 2/3 sem exagero) no corredor, na mini-sala dentro das urgências, na sala exterior (que devia ser reservada apenas a familiares) e alguns no próprio exterior das urgências, inclusive um senhor de idade desmaiou junto do segurança na entrada exterior, só assim, pelos vistos, foi mais prontamente assistido. Um rol bem grande, garanto-vos.

Médicos? Um ortopedista (pensava eu, pois vi-o sair de uma sala que dizia Ortopedia, mas depois de ler o vosso artigo já não sei), que respondeu arrogantemente a um doente que tinha entrado muito antes de mim e que se dirigiu ao médico nestes termos "Sr. Dr. estou aqui há tanto tempo... ninguém nos vê...", resposta do médico "Queixe-se aos meus colegas que estão aí, eu só cá venho uma vez por semana", ao que o paciente respondeu " Sr. Dr. não o tratei mal, apenas queria saber quando me atendem..." (boa resposta e muito educada, com o sotaque algarvio e de quem apenas se impacientava educadamente de estar há umas 5h, pelo menos, sem ser visto por ninguém). Outro médico? Sim, um espanhol, pelo menos o sotaque, que apareceu chamando um doente, vindo de outro lado, não sei de onde e que nunca mais voltou. Havia mais médicos? Sim, uma Dra Natália, russa ou ucraniana, simpática, educada, uma palavra amiga a quem se lhe dirigia, inclusive o senhor que referi acima e que se queixava do tempo que estava à espera e ao qual lhe respondeu, educadamente, que tinha razão, mas não tinham médicos suficientes. Ouvi a Dra dizer que eram só quatro no serviço. Infelizmente, soube pelos bombeiros, na ambulância, que tinham acabado de entrar quatro feridos de um acidente de viação e que se calhar ia demorar, o tempo de espera é que foi mais que demorado, estive 4 h sem ser vista por ninguém e tinha um traumatismo craniano, nada de grave, mas na altura não se sabia. Talvez estivessem nas outras urgências os outros médicos.

Enfermeiros? Nos corredores das urgências vi passar 3 ou 4 (muitas vezes nem olhavam para os pacientes, estavam apenas de passagem); sala de injetáveis: 1 enfermeira, e espaço minúsculo; sala onde me coseram (mas que não limparam bem o sangue, soube à posteriori, fiz imensos coágulos) e talvez seja também sala de tratamentos: 4 ou 5 enfermeiros, em mudança de turno.
Sala da Tac. 2 técnicos.
Funcionários de apoio: 3 ou 4 ( e uma delas estava a trabalhar noutro piso e cada vez que vinha às urgências lá ia dando uma ajuda).
Ficávamos nos corredores à espera que os funcionários tivessem tempo para nos levarem ou para irem buscar-nos para os exames, etc.

Não chega apenas a boa vontade.
É preciso PESSOAS para trabalharem e assistirem dignamente as pessoas, há minímos.

Passei 8h e tal nas urgências girando entre estes espaços. Vi pessoas de idade, a maioria, ali quase ao abandono.
Devo dizer que constatei que quem tem uma maca é um privilegiado apesar de tudo, pois pode estar lá dentro, ainda que as correntes de ar possam provocar gripes ou situações piores.

Um bem haja especial a uma funcionária que pensei de início ser espanhola, mas afinal era de leste, pelo nome da placa identificativa (disseram-me, não conseguia ler), pois foi ela um verdadeiro Anjo da Guarda para mim e para todos os que solicitavam a sua ajuda. Uma delicadeza para os velhinhos e uma voz doce, doce. Sem ela talvez tivesse ficado mais 4h e tal sem observação.
Mas quero destacar além dessa funcionária, a delicadeza de um jovem enfermeiro que tentou lavar-me o cabelo e libertar-me daquela massa de sangue e da já referida Dra Natália que me observou, não sei se era uma doente destinada a ela ou não, a pedido dessa jovem, bonita e doce menina de leste.

Apesar de tudo penso que todos tentam fazer o seu melhor mas não têm condições, nem físicas, nem humanas.

A sensação que tive era que aquilo não era um hospital a sério!


Um bem haja aos bombeiros de Portimão, pois os seus primeiros socorros foram fundamentais e de uma simpatia exemplar.
Obrigada por me deixarem partilhar a angústia que senti, sobretudo, por dezenas de pessoas idosas.
Margarida Graz.

P.S. Entraram dois pacientes ingleses enquanto lá estive e não estiveram muito tempo no corredor junto de mim...

5 de agosto de 2008

Le fabuleux destin d'Amélie Poulain


Le fabuleux destin d'Amélie Poulain


Hoje lembrei-me de escrever sobre este filme, pois há uns dias atrás decidi adicionar alguns trechos da sua banda sonora e que acompanham quem estiver visualizando o blog. A música é de Yann Tiersen, uma melodia fantástica.


É dos filmes mais bonitos que vi! Maravilhoso! Encantatório! Doce! Suave! Poético! Lindo!!!


Adorei o enredo, a luz, a cor, as personagens... aquele cantinho de Montmartre tão pitoresco deve existir ainda genuinamente, tal os bairros de Lisboa.


Audrey Tautou no papel de Amélie é excelente, um trabalho minucioso, de gestos e olhares, criando uma personagem que é uma pessoa diferente, introvertida, atenciosa e que vê, de repente, que o seu papel nesta vida é ajudar os outros - um anjo da guarda, discreto e secreto. Uma personagem no tempo e fora do tempo.

Um filme a ver e rever...