19 de agosto de 2008

Maiakovisky - Niemöller - Brecht

Já li e reli este mail.
Recebi-o várias vezes, talvez o tenha encaminhado e apagado outras tantas vezes. Mas hoje recebi-o de novo e decidi publicar os poemas / desabafos nele expressos.

A realidade que ali está escrita, implícita ou explicitamente, é algo que me inquieta há muito, assim como a uma ou outra pessoa que partilha comigo/connosco uma visão menos optimista desta engrenagem político-económica europeia, outrora, e cada vez mais global, hoje. E que se tem acentuado nos últimos anos.

A história que nos ensinam pode ou não revelar esses factos, dependendo de regimes, políticas governativas e educativas. Dependendo do meio familiar e cultural. E, sobretudo, dependendo do INDÍVIDUO.

A história faz-se de trechos, momentos, evocações, ilustrações que desencadeiam questões, tantas vezes sem resposta e que, a cada tentativa de resposta, despoletam cada vez mais questões... há como que um bichinho em nós que nos obriga a ler, ler, ler, investigar, procurar... tentando encontrar uma resposta clara e objectiva e que descobrimos, desapontados ou não, que essa resposta não existe.
Todavia essa busca de verdade abre-nos outras perspectivas, caminhos...
A verdade nunca é simples e clara, antes pelo contrário, envolve-se em neblinas e negrumes, anseios, esperanças e desilusões... SONHOS VÃOS...
A Demanda do Graal!!!

Os outros, diziam-nos pessimistas, "recusavam" ouvir, partilhar ou emitir opinião sobre o assunto... mas todas estas "coisas" tiveram uma origem silenciosa e sobretudo organizada... e, quando os outros acordaram era tarde, estavam instalados regimes totalitários que tão próximos conhecemos, fisica e ideologicamente.

A erva daninha é difícil de erradicar e por muitos químicos que se usem para a destruir, mais tarde ou mais cedo ela surge, pequena, discreta, apagada e não ligamos. Quando reparamos nela, porque nos incomoda, já cresceu, robusteceu e... agora exige força, determinação e, sobretudo, muito trabalho para eliminá-la.

"Eles andem aí!"



Maiakovisky - poeta russo, "suicidado" após a revolução de Lenine , escreveu no início do século XX .
Na primeira noite
eles se aproximam
e colhem uma flor
de nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite,
já não se escondem :
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles,
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a lua, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz
da garganta.
E porque não dissemos nada,
já não podemos dizer nada.


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"Um dia vieram e levaram meu vizinho que era judeu.
Como não sou judeu, não me incomodei.
No dia seguinte, vieram e levaram meu outro vizinho que era comunista.
Como não sou comunista, não me incomodei .
No terceiro dia vieram e levaram meu vizinho católico.
Como não sou católico, não me incomodei.
No quarto dia, vieram e me levaram;j
á não havia mais ninguém para reclamar..."

Martin Niemöller, 1933 ,
símbolo da resistência aos nazistas.

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(Parodiando o pastor protestante Martin Niemöller:
"Primeiro eles roubaram nos sinais, mas não fui eu a vítima,
Depois incendiaram os ônibus, mas eu não estava neles;
Depois fecharam ruas, onde não moro;
Fecharam então o portão da favela, que não habito;
Em seguida arrastaram até a morte uma criança, que não era meu filho..."
Claudio Humberto, fev 2007 )

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Primeiro levaram os negros

Mas não me importei com isso
Eu não era negro

Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário

Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável

Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Também não me importei

Agora estão me levando
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo.

É PRECISO AGIR

Bertold Brecht (1898-1956)

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Tudo que os outros disseram foi depois de ler Maiakovisky.
Incrível é que após mais de cem anos dessa lição, ainda nos encontremos tão desamparados, inermes, e submetidos aos caprichos da ruína moral dos poderes governantes, quev ampirizam o erário, aniquilam as instituições, e deixam aos cidadãos os ossos roídos e o direito ao silêncio: porque a palavra, há muito se tornou inútil.
(Este último comentário é de autor desconhecido)

3 comentários:

Coragem disse...

Meggy, venho agradecer, a sua visita a meu espaço, é sempre um prazer receber amigos da blogosfera, tal como visitar novos espaços.
Partilhar vivencias opiniões.

Conhecia este texto, e tambem eu senti-me impoente sobre tamanha verdade.
Passamos pela vida sem dar conta de tantos gestos egoistas que cometemos,por vezes uma atitude, poderia fazer toda a difereça.

Uma vez mais obrigada

António Viriato disse...

Regresso agradado a este local, pelos poemas, pela exortação à acção, contra a indiferença, contra o conformismo.

Como recompensa, ainda colho esta doce música de acordeão de ressonância parisiense, dessa cidade de permanente evocação e inspiração.

Merci, donc.

AV_07-09-2008

Angella Codeço disse...

Copiei e colei o texto abaixo em outro blog, pra sugerir que seja postado o nome do autor do poema "No Caminho com Maiakovsky"
Bjão!

Angella Codeço

Olá! Vitória, como vai?

Aprecio sobremaneira sua participação em nossa RedePsi.
Apenas quero lembrar que esses belos versos de "No caminho com Maiakóvsky" são de autoria do brasileiro Eduardo Alves da Costa. Foi uma homenagem que ele fez ao seu quase xará russo. No texto "rouba-nos a lua", leia-se "rouba-nos a luz".

Contamos sempre com a sua colaboração.

baita abraço

Enviado em: 12/15 15:46
Editado por adalbertotripicchio em 16/12/2007 14:08:39