22 de outubro de 2008

Pela Paz

Ao ler um artigo no jornal online Tinta Fresca, fiquei surpreendida pelo seu teor.
Na verdade, não tenho acompanhado muito as notícias ultimamente, mas ou escapou-me esta ou não apareceu nos écrans de televisão ou nas primeiras páginas dos jornais...
Um exemplo de como através da compreensão e respeito mútuo se pode alcançar a Paz no mundo. Que lição de humildade!!!


" Liderada por Ammar Al-Hakim, vice-presidente do Conselho Superior Islâmico e líder político da actual coligação no governo do Iraque, uma delegação do Iraque esteve, no dia 17 de Outubro, no Santuário de Fátima. Para além de outros membros do Governo iraquiano, esta comissão integrou Nazih Radwan, da Direcção do Fórum Luso-Árabe, e o Embaixador do Iraque em Portugal, Mowafak Maroki. À chegada ao Santuário, o grupo foi recebido, no edifício da Reitoria, pelo Reitor do Santuário de Fátima, Padre Virgílio Antunes. [...]"



Será que os políticos poderiam fazer o mesmo?
Depois desculpem-se com crises financeiras, económicas, culturais...
Façam bem o vosso trabalho, basta isso!



21 de outubro de 2008

Ailleurs

Ailleurs, il y a un monde de bonheur où les personnes sont encore heureuses.

Là-bas... ailleurs... lointain...

Où?

Où la violence n'existe pas.

Où la pollution n'existe pas.

Où la bourse, la banque, le crédit n'existent pas.

Où les personnes pensent, refléchissent, questionnent, discutent...

Où les personnes vivent tranquillement leurs vies, sans horaires, sans stress, sans des heures et des heures de travail, de dur travail...

12 de outubro de 2008

O nome da rosa

O Nome da Rosa, de Umberto Eco, adaptado pelo Fatias de Cá. Um projecto ambicioso mas bem concebido.

O Nome da Rosa, romance famoso do não menos famoso escritor-filósofo-ensaísta-linguísta-sociólogo italiano Umberto Eco. Adapatdo ao cinema em 1986, por Jean Jacques Annaud, realizador notável, contando na personagem principal com o distinto Sean Connery, o filme ajudou a popularizar esta bellíssima obra (synopsis en français).

Fatias de Cá iniciou a sua actividade em 1979, tendo hoje diversos centros de produção em Portugal e também Marrocos e Bulgária. É, sem dúvida, um projecto em constante renovação, colocando-se numa outra dimensão do conceito teatral, ainda tão clássico no final do século XX, apesar de conceitos inovadores e alternativos como o Open Air Theatre (em estádios, campos, ruínas, antigos teatros gregos e/ou romanos, praças de cidades/vilas...); o Teatro do Absurdo, de Ionesco, ... Não há lugar às três regras clássicas: espaço, tempo, personagem. Pode ou não haver um equilíbrio entre a história, o espaço e o tempo. Pode ou não haver cenários. Por vezes, o actor-personagem basta-se a si mesmo para criar uma história, num espaço vazio e sem tempo. O espaço cénico/palco e público, têm papéis diferentes ou similares. São novos conceitos ou recriações de acordo com um mundo que muda e que nem sempre aceita grandes mudanças.

O Fatias de Cá situa-se, em minha opinião, nestes novos conceitos da arte dramática.

A peça desenrola-se em diversas partes do Convento de Cristo, Tomar: claustros vários, sala do capítulo, charola, junto à famosa janela manuelina, refeitório, cozinha, sala das talhas, sala do forno, sala das cortes, sótãos, salas diversas, alas das celas dos monges, corredores labirínticos, capela principal, capela exterior sem telhado que, graças à lua, contrastava o negro das pedras com um fundo de um luar levemente nebulado, criando uma auréa de um misticismo maior... Sobem-se e descem-se escadas dezenas de vezes, quase às escuras. Perdemos o conto aos degraus pois nem sequer os contamos, o que interessa é seguir Guilherme de Baskerville (Carlos Carvalheiro, também o encenador), o téologo imperial franciscano encarregue pelo abade de investigar uma misteriosa morte de um monge copista e que, com o jovem monge-aprendiz Adso (Ricardo Zeferino) se vê envolvido num trama maior que o esperado. Seguem-se mais seis mortes, todas elas misteriosas. Cenas movimentadas: morte, medo, poder. Discussões acesas entre os dominicanos e franciscanos, num convento beneditino. A luta pelo poder e pela protecção do Papa de Avinhão, opondo-se ao Papa de Roma, figura ausente da trama, mas presente no espírito ideológico-religioso da época. Tentativa vã de evitar sismas ou heresias. Época difícil em que o poder estava do lado da força das armas e dos maliciosos, argutos, malélovos e inteligentes, fossem religiosos ou príncipes, amigos ou não. A luta pelo poder foi forte e feia. Matava-se, roubava-se... Deus era a inspiração e em nome de quem se cometia tanta barbárie. Talvez alguns acreditassem piamente naquilo que defendiam e, por isso, lutavam em nome de Cristo com toda a energia e fé, enquanto que outros, houve-os em todos os tempos, os oportunistas, os intisgadores, os cabecilhas, sugeriam, ordenavam, mas raramente manchavam as mãos de sangue.

Mas tudo isto será passado???

A peça teve oito momentos - oito trombetas apocalípticas: granizo(morte), sangue(morte), água(morte), estrelas(morte), escorpiões, enxofre e mel. Entre cada uma delas regressávamos ao refeitório para com os monges partilharmos momentos de oração e de refeição claro, muito mediavalesco: frutos secos, partidos com uma pedra; tostinhas de queijo e ervas aromáticas; canjinha de galinha bebida numa tijela de barro (esperemos que não fosse a galinha que o Salvador, ajudante do dispenseiro, usava em rezas tão pouco cristãs, lol); arroz no forno com galinha (a da canja ihih) e couves cozidas; bolos simples, quase medievais e vinho tinto quente açucarado com sabor intenso de canela (uma verdadeira delícia) e, no fim da peça, café da avó uma uma Fatia de Tomar ou Fatia de Cá, cujo doce regional deu nome ao grupo.

O lema deste grupo é uma frase atribuída a Galileu "Não resistimos nem a uma ideia nova nem a um vinho velho."

P.S. Foi uma forma diferente de comemorar mais um ano de vida de uma grande amiga, não foi Isabel? (Apesar da malta se ter esquecido... snif snif). Jinho grande.

10 de outubro de 2008

Vinte anos e um dia

Finalmente acabei o livro de mesa de cabeceira. Estava difícil. Há já dois meses que andava ali, ao lado, companheiro de noites, mas bastante preterido a outros. Vinte anos e um dia, de Jorge Semprún, como diz uma nota na capa Vinte anos e um dia era o tempo de prisão a que eram sentenciados os prisioneiros políticos em Espanha; foi também o tempo decorrido entre o pronunciamento de Franco e as primeiras manifestações de resistência contra o Caudilho.

Jorge Semprún um notável homem das letras, espanhol pelas origens, francês por condicionantes da vida e por opção própria. No entanto nunca se desligou da sua pátria primeira, como se pode verificar na sua biografia. Fiz uma hiperligação para o Webboom onde há uma sumária biografia deste militante comunista, resistente espanhol e francês, sobrevivente de um campo de concentração, homem da filosofia e da escrita, um Homem do século XX. Foi também Ministro da Cultura no tempo de Felipe Gonzalés.

Nunca tinha lido nada dele, aliás, e apesar de bastante premiado, não conhecia este autor. Descobri-o, por acaso, naquelas vendas com descontos e que eu aproveito para comprar livros às dezenas e que depois levo anos a ler...
Quanto ao livro, não foi uma leitura fácil, mas insisti e consegui acabar de ler, o que nem sempre acontece.
Hoje em dia, raramente faço um esforço para ler um livro que não me agrade nas primeiras páginas, ainda tento 20, 30 e as vezes 50 páginas, depois se não houver uma centelha que me desperte curiosidade, este vai juntar-se às dezenas que aguardam a sua vez.
Ler depende do estado de espírito, por isso em alturas diferentes da nossa vida podemos ter opiniões divergentes do mesmo livro, isto se o lermos segunda vez. E quando se trata de uma primeira leitura, para deleite próprio, esta agrada-nos ou não de acordo com a nossa personalidade, por vezes por motivos exteriores ou interiores não estamos predispostos a ler aquele livro naquele momento.

Vinte anos e um dia, é difícil de classificar. A narrativa não é linear, um pouco confusa, cheia de analepses, processo recorrente ao longo de toda a obra. Apesar de identificada como um romance, nela há inúmeras incursões na vida de um certo Semprún (pai) e de um certo Federico Sanchez, nome de "guerra", nome de código do autor durante a ditadura franquista. Referências a personagens reais, momentos da guerra civil, da ditadura que se seguiu. Creio que se mistura a ficção com a realidade, ou será que é a realidade que foi ficcionada?!

2 de outubro de 2008

Famílias...

Hoje e ontem ouvi uma notícia que por estranha que seja revela também o quanto é tão pouco linear e convencional o nosso quotidiano, ainda que o aparentemente seja.

A propósito de um pai que saiu da Bélgica com três filhas há meses... seguem-se duas notícias que retirei de jornais online conforme podem verificar na fonte.

Comentando esta notícia a propósito da temática das Famílias Tradicionais e Novas Famílias, com jovens entre os 15-18 anos, não consegui desencadear nenhum debate, nem comentário crítico, por mais insignificante que fosse. E alguns tinham ouvido a notícia!! Ou é-lhes indiferente ou estão pouco informados e alertados para situações de risco em família, seja com a família natural ou não.

A mim chocam-me várias coisas:
- a mendicidade como forma de sobrevivência (apesar das meninas terem bom aspecto nas fotos dos jornais e na tv);
- o afastamento total da família e dos amigos.
Não consigo perceber como é que a filha mais velha, de 14 anos, não conseguiu ser autónoma e racional o suficiente para pegar numa moeda e telefonar a um familiar. Acharia normal a situação de estar sem contacto algum com a mãe e demais familiares durante 9 meses? Teria medo? Não me pareciam amedrontadas. Haverá ligações afectivas-psicológicas tão fortes que inibam uma adolescente de ter uma atitude de rebeldia, de saber agir perante um problema, de decidir... Pois se dizem não terem sido maltratadas pelo pai e não terem sentido medo porque estavam com o pai, não estranhariam a total ausência de contacto com os seus familiares, amigos, colegas, escola, país?
Tantas dúvidas e angústias...
E este até não foi um caso muito grave (são tantas as notícias horríveis sobre crianças desaparecidas que até já eu avalio diferentemente...).

Faz-me reflectir no quão frágil é a instabilidade emocional de cada um de nós. Estamos presos por um fio, uma linha, facilmente cortada e facilmente passamos para um mundo de alheamento e de fantasia onde os princípios e as regras são outras. Não necessariamente piores... mas irregulares, longe dos padrões sociais desejáveis.
É muito complicado: perceber, compreender e aceitar.



Detido em Viseu belga que terá raptado as três filhas
30.09.2008 - 09h04 Lusa
O cidadão belga que terá raptado as três filhas menores foi detido ontem à noite em Viseu, disse hoje fonte do comando da PSP da cidade. As três crianças foram entregues a uma instituição.As crianças de 14, 10 e sete anos desapareceram em Janeiro deste ano da localidade de Deurne, Antuérpia, na Bélgica. Foram trazidas para Portugal pelo pai Cornelius Otto numa auto-caravana contra a vontade da mãe de quem está separado. Fonte da PSP de Viseu adiantou que o homem foi detido ontem à noite e as crianças entregues a uma instituição. "A detenção foi feita pela PSP mas o caso já foi entregue à Polícia Judiciária", disse a mesma fonte escusando-se a dar mais pormenores. Desde Janeiro que a Polícia belga e a organização não governamental de apoio a crianças desaparecidas ou sexualmente exploradas "Child Focus" procuravam o paradeiro das três meninas. As autoridades acreditavam que as crianças estariam em trânsito pela Europa, acampando em parques de campismo por tempo indeterminado e, segundo o IAC, poderiam estar em Portugal. O homem e as três crianças viajavam numa auto-caravana. Como meio de subsistência dedicava-se à mendicidade com as raparigas, tocando um realejo em locais públicos. Em Março, o procurador do Ministério Público belga decidiu lançar uma campanha junto da imprensa belga, seguida em Maio por uma campanha internacional, liderada pela "Child Focus" e que inclui a divulgação de um vídeo no site YouTube em três línguas distintas: flamengo, francês e inglês. Esta iniciativa foi realizada em parceria com o ICMEC (International Centre for Missing and Exploited Children, EUA), utilizando o canal de crianças desaparecidas já utilizado anteriormente, aquando do caso Madeleine McCann em Portugal.


http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1344382

Três crianças belgas desaparecidas encontradas em Viseu Truke, de 7 anos, Gerda de 10, e Godelieve Otto, de 14 anos, estão em Viseu e foram encontradas ontem à noite. Estavam desaparecidas desde Janeiro. O alegado raptor, o pai, foi detido pela polícia.As três irmãs belgas foram encontradas em Viseu com o pai, que acabou por ficar detido pela Polícia de Segurança Pública (PSP). As meninas foram levadas para uma instituição social de Viseu. As menores terão sido levadas pelo progenitor, Cornellis Otto, de 39 anos, em Janeiro, sem o consentimento da mãe. A progenitora adianta que apenas deixou uma carta na caixa de correio na qual dizia ter levado as filhas. Viviam em Deurne, na Antuérpia (Bélgica). O pai dedicava-se à mendicidade e vagueava pela Europa a dormir em parques de campismo, relata a imprensa de hoje. Chegou a ser identificado no Montijo no final de Janeiro. Num vídeo divulgado na Internet , a mãe das três meninas fez um apelo internacional para que fossem encontradas. O desaparecimento de Truke, Gerda e Godelieve Otto estava a ser seguido pela polícia belga, tendo sido desencadeada uma acção internacional com a "Child Focus". Trataou-se de uma iniciativa da ICMEC (International Centre for Missing and Exploited Children, EUA), que utilizou o canal de crianças desaparecidas já estabelecido aquando do caso Madeleine McCann, em Portugal. No nosso País, o alerta foi lançado pelo Instituto de Apoio à Criança (IAC).
so, Terça, 30 de Setembro às 9:14

http://quiosque.aeiou.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=ae.stories/12055&sid=ae.sections/3