10 de outubro de 2008

Vinte anos e um dia

Finalmente acabei o livro de mesa de cabeceira. Estava difícil. Há já dois meses que andava ali, ao lado, companheiro de noites, mas bastante preterido a outros. Vinte anos e um dia, de Jorge Semprún, como diz uma nota na capa Vinte anos e um dia era o tempo de prisão a que eram sentenciados os prisioneiros políticos em Espanha; foi também o tempo decorrido entre o pronunciamento de Franco e as primeiras manifestações de resistência contra o Caudilho.

Jorge Semprún um notável homem das letras, espanhol pelas origens, francês por condicionantes da vida e por opção própria. No entanto nunca se desligou da sua pátria primeira, como se pode verificar na sua biografia. Fiz uma hiperligação para o Webboom onde há uma sumária biografia deste militante comunista, resistente espanhol e francês, sobrevivente de um campo de concentração, homem da filosofia e da escrita, um Homem do século XX. Foi também Ministro da Cultura no tempo de Felipe Gonzalés.

Nunca tinha lido nada dele, aliás, e apesar de bastante premiado, não conhecia este autor. Descobri-o, por acaso, naquelas vendas com descontos e que eu aproveito para comprar livros às dezenas e que depois levo anos a ler...
Quanto ao livro, não foi uma leitura fácil, mas insisti e consegui acabar de ler, o que nem sempre acontece.
Hoje em dia, raramente faço um esforço para ler um livro que não me agrade nas primeiras páginas, ainda tento 20, 30 e as vezes 50 páginas, depois se não houver uma centelha que me desperte curiosidade, este vai juntar-se às dezenas que aguardam a sua vez.
Ler depende do estado de espírito, por isso em alturas diferentes da nossa vida podemos ter opiniões divergentes do mesmo livro, isto se o lermos segunda vez. E quando se trata de uma primeira leitura, para deleite próprio, esta agrada-nos ou não de acordo com a nossa personalidade, por vezes por motivos exteriores ou interiores não estamos predispostos a ler aquele livro naquele momento.

Vinte anos e um dia, é difícil de classificar. A narrativa não é linear, um pouco confusa, cheia de analepses, processo recorrente ao longo de toda a obra. Apesar de identificada como um romance, nela há inúmeras incursões na vida de um certo Semprún (pai) e de um certo Federico Sanchez, nome de "guerra", nome de código do autor durante a ditadura franquista. Referências a personagens reais, momentos da guerra civil, da ditadura que se seguiu. Creio que se mistura a ficção com a realidade, ou será que é a realidade que foi ficcionada?!

1 comentário:

António Viriato disse...

Cara Meggy,

Nada li deste autor, mas a sua história pessoal parece-me muito rica de vivências e pensamento.

A experiência-limite de uma Guerra, como a Civil espanhola, e a desilusão com a doutrina comunista, como creio que também ocorreu com Orwell, igualmente nesses dois campos, quando encontra
espíritos fecundos, abertos à reflexão, o resultado costuma ser muito cativante.

No caso do Orwell,tal situação ficou amplamente demonstrada.

E, entre nós, também há alguns...

Boa noite e continuação de boa inspiração.