17 de maio de 2009

Edgar Morin defende"reforma radical"

Abri o Clix e li "Edgar Morin defende"reforma radical" no ensino para acabar com "hiperespecialização", pensei, deixa-me ir ler o artigo, isto interessa-me (apesar de ter mil e quinhentas outras coisas para fazer).
E também pensei, mas este homem ainda está vivo.
Sei que parece uma barbaridade tamanha ignorância, mas garanto-vos, era pior não saber quem é EDGAR MORIN, e na minha área serão muitos concerteza. Mas também nem tempo temos para nos cultivarmos. Papelada, papelada... verdade ou consequência? Consequência. Conta as folhas que gastas por dia e depois conta quantas árvores mataste num mês. Mas preciso de fazer contas! ! Nã, tens a máquina de calcular. Ah!!!! (resposta à tansa de século XX. Daaa!).

Cliquei e li o artigo (clique também).

... a "condição humana está totalmente ausente" do ensino: "Perguntas como 'o que significa ser humano?' não são ensinadas", critica .... Gostei. Pois é, há coisas que não são ensinadas, nem se deixa espaço para a dúvida, a interrogação, a reflexão, a discussão, a descoberta, o conhecimento pelo seu pé. Não falo em papa maizena (como o outro) que esta geração é mais milupa, blédina, danoninho, etc.

Por outro lado, Morin acredita que a "excessiva especialização" no ensino e nas profissões produz "um conhecimento incapaz de gerar uma visão global da realidade", uma 'inteligência cega'". Limitada. Incapaz de resolver problemas comezinhos do quotidiano até.

"O que proponho é fornecer [aos alunos] as ferramentas de conhecimento para serem capazes de ligar os saberes dispersos", explica. Não querendo parecer imodesta é também isso que penso e defendo há anos. É isso que gostaria de fazer. É isso que as vezes faço, ou melhor, tento fazer, perante a indiferença, a ignorância, o comodismo, a preguiça, o marasmo.... mais do que qualquer limitação física ou psicológica, são estes os meus inimigos quotidianos, com os quais travo duras batalhas e nas quais sou derrotada frequentemente. Derrotada numa batalha, não numa guerra!

Sobre a escolha de área que os alunos portugueses têm de fazer no 10º ano, Edgar Morin é peremptório: "Não concordo. Antes de escolherem uma especialização, todos deveriam ter, durante um ou dois anos, cadeiras comuns de cultura geral", em que "devem ser abordados problemas fundamentais do conhecimento, da racionalidade, simplicidade, complexidade e os problemas fundamentais da civilização actual", precisa. "Só depois de aprenderem a desenvolver as capacidades mentais para atacar os problemas gerais é que deveriam poder escolher o que querem seguir". Ideia curiosa. Que não se aplica a todos. Uns sabem o querem ser. Outros o que gostariam de ser. Outros o que vão ser. Mas outros... esses nunca irão saber porque se recusam a interrogar-se, a olharem para si mesmos e a descobrirem primeiro quem são. Espelho, espelho meu... QUEM SOU EU?

Isto porque, garante Morin, "está demonstrado que a capacidade de tratar bem os problemas gerais favorece a resolução de problemas específicos", lembrando que a maioria dos grandes cientistas do século XX, como Einstein ou Eisenberg, "além de especialistas, tinham uma grande cultura filosófica e literária". APLAUDO DE PÉ.

Um bom cientista é alguém que procura ideias de outros campos do conhecimento para fecundar a sua disciplina", afirma, sublinhando que
"todos os grandes descobrimentos se fazem nas fronteiras das disciplinas".
BRAVO, M. MORIN.
P.S.1 Bravo, quer dizer que aprovo e que é sublime esta opinião.
M. = Monsieur, em português Senhor (só para o caso de não saberem, como alguns alunos que ao fim de três anos de Francês não sabem ler este M. ou leêm M... no comments).
P.S.2 Hoje até estou com veia mas não com tempo. É sempre assim, o dever é maior que o prazer. E garanto-vos que prazer teria em ler por prazer (meu saudoso Pessoa).

6 de maio de 2009

Aquila - Abruzzo - Itália - um mês depois

Un pensiero e una preghiera per tutti qui hanno sofferto e che soffrono...