11 de agosto de 2009

Contos nossos de cada dia

Conto 1

Do alto daquela serra está um cuco a cantar, ó Maria vem cá baixo para me coçar

Assim veio o primeiro verso desta colectânea baseada ou inventada a partir de factos reais. Memórias de um povo, imaginário da minha infância… um mundo real que na minha geração já se considera secular, pelos costumes arreigados, pelas tradições rurais e regionais, pela existência da força de pulsos, trabalho manual, de muito suor… Éramos um país que já não existe, um país rural onde a ruralidade convivia com simplicidade e com o afastamento do mundo moderno que se lia em revistas, sobretudo estrangeiras, e que era muito pouco divulgado em jornais, rádios e na t.v., que era só uma e com horário limitado de transmissão. Olho esse passado não com saudade mas há uma certa melancolia, um certo romantismo digno dos romances de Júlio Dinis. Hoje, vendo a esta distância, observo que o meu Portugal dos anos 70 e 80 não estava assim tão longe do de Júlio Dinis, Almeida Garrett, Camilo Castelo Branco. Passaram-se apenas 20, 30 anos… no entanto, os hábitos alimentares e higiénicos, o estilo de vida, as férias, a educação, a música, a dança, a relação pais-filhos, entre irmãos ou amigos, aluno-professor, pais-professores… estão a anos-luz da minha infância. Bom? Mau? Não sei. É Diferente.

E agora vou começar a escrever o conto... noutras paragens.

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