17 de agosto de 2010

Trailer - Cinema Paradiso

Cinema Paradiso "soundtrack final" "Tema finale" "final theme"

Cinema Paraiso - Um Filme da Minha Vida

Giuseppe Tornatore realizou o sonho de um grande número de cineastas ao produzir com seu "Cinema Paradiso" uma verdadeira declaração de amor. Não se trata de mais um filme romântico bem-sucedido, nem tampouco de um clássico do porte de "Casablanca" em que Ingrid Bergman e Humprey Bogart imortalizaram o Marrocos e nos deixaram enternecidos em função de seu romance. Tornatore notabilizou-se por ter feito um filme que sacramenta a paixão que os cineastas sentem por seu objeto de trabalho, pela essência de seu cotidiano, pela arte que brota através das câmeras em celulóides, por aquilo que nos permite vivenciar e fantasiar emoções ao redor do mundo todo, o cinema.

Poucos foram os "movie-makers" capazes de tal empreitada. Talvez Woody Allen com o fantástico "A Rosa Púrpura do Cairo" também tenha conseguido nos fazer sentir um pouco aquilo que alimenta as esperanças e as emoções de quem está por trás das filmagens, tão diretamente ligado a todo processo de realização dos filmes. Porém, diferentemente da fantasia dos personagens que saem da tela apresentada em "A Rosa Púrpura", o filme italiano nos fala sobre a relação cineasta-cinema de forma notadamente auto-biográfica.

A trama começa com o menino Totó, numa Itália abalada pela guerra. O próprio personagem sofreu um revés irreparável, seu pai foi enviado para os campos de batalha e não voltou. Orfão de pai, vivendo apenas sob a tutela da mãe, Salvatore (numa performance digna de nota do menino Salvatore Cascio) tem uma grande paixão e, como todas as pessoas envolvidas em situações como essa, arrisca-se diversas vezes para que esse amor seja vivido com intensidade. Em algumas ocasiões utiliza o dinheiro que a mãe lhe deu para comprar mantimentos, realizando seus sonhos, encontrando-se com seu ardente desejo, indo ao cinema, vendo os filmes. Totó é um amante da sétima arte.

Nessas idas e vindas ao Cine Paradiso, Totó acaba, por vias tortas, tornando-se amigo do projecionista Alfredo (Philipe Noiret, em mais uma marcante atuação) e sacia seu desejo de poder assistir aos filmes da cabine de projeção. A cidade onde vive é uma pequena comunidade, de aspecto rural, onde há poucas possibilidades de lazer. Como região interiorana, de país de tradições religiosas arraigadas, o padre acaba tendo grande eminência entre as pessoas que ali vivem. Mesmo no cinema o clérigo interfere, censurando cenas que apresentem beijos ou que denotem minimamente a noção de sexualidade. As cenas cortadas em virtude do conservadorismo do padre tornam-se então brinquedos festejados nas mãos de Totó.

Alfredo por sua vez, além de artífice dos sonhos como projecionista do cinema, torna-se também (em razão do convívio e da grande proximidade) um segundo pai para o menino. Procura orientá-lo e ensina os procedimentos do trabalho que exerce para o garoto. Há situações que fazem com que eles se tornem ainda mais próximos, como quando Totó ajuda Alfredo a aprender a ler e escrever ou ainda, quando o Paradiso pega fogo. O incêndio acaba fazendo com que Alfredo fique cego e, que Totó torne-se o novo projecionista do cinema local. Consuma-se com maior voracidade o envolvimento do agora jovem Salvatore (vivido por Marco Leonardi) com os filmes.

O passar do tempo e o advento da maioridade fazem com que seja necessário um rompimento. O que poderia parecer o fim de um sonho, acaba concretizando um casamento definitivo entre o garoto/adolescente/jovem Totó com o cinema. Ele torna-se um realizador, um cineasta. De admirador das imagens em preto e branco que povoaram sua meninice e sua adolescência, de colecionador de fotogramas censurados pelo padre, de projecionista do Paradiso em sua cidade de origem, Salvatore acabou se tornando um produtor de sonhos. Suas imagens passam a partir de então, a encantar milhares de pessoas em seu próprio país e fora dele.

O início do filme nos mostra Totó adulto, recebendo notícias de sua cidade natal e tendo que voltar para lá. Há muito tempo saíra de lá e, pouco comunicava-se com sua mãe ou com outras pessoas que ali permaneceram. Parecia querer esquecer-se do que havia vivido (talvez em decorrência de uma outra paixão que ali tivera, nesse caso, mal resolvida). No entanto, algo o levou a voltar. E com a volta, vieram as lembranças; com toda a nostalgia que o ambiente lhe proporcionou, contou-se essa verdadeira fábula contemporânea.

(…)

Que o amor pelo cinema mostrado em "Cinema Paradiso" seja uma luz a nos guiar para a realização dos nossos desejos! Assista e emocione-se!

João Luís Almeida Machado
Mestre em Educação, Arte e História da Cultura (Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo);
Professor universitário atuando na Faculdade Senac em Campos do Jordão; Professor de Ensino Médio
e Fundamental em Caçapava, SP; Editor do Portal Planeta Educação

Ficha Técnica

Cinema Paradiso
(Nuovo Cinema Paradiso)

País/Ano de produção: Itália, 1988
Duração/Gênero: 123 min., drama
Direção de Giuseppe Tornatore
Roteiro de Giuseppe Tornatore
Elenco: Philipe Noiret, Salvatore Cascio, Marco Leonardi,
Antonella Atilli.

Fonte: http://www.planetaeducacao.com.br/novo/artigo.asp?artigo=34

Artigo copiado do site http://www.acafic.com.br/blog/cinema-paradiso/